Em clima de decisão, ex-volante Zé Carlos relembra clássico histórico

Ele é o cruzeirense que mais defendeu o clube nos 1.500 jogos celestes no Mineirão. Marca será alcançada neste domingo

Dentre tantos jogadores que vestiram a camisa celeste nos últimos 44 anos, um pode dizer que participou de mais de um quinto dos 1.500 jogos que o clube vai completar no Mineirão, neste domingo, no clássico contra o Atlético. O ex-volante Zé Carlos, craque das décadas de 1960 e 1970, é o recordista de jogos pelo Cruzeiro no estádio. Foram 311 partidas e 46 gols marcados entre 1965, ano em que chegou do Sport de Juiz de Fora, e 1977, quando se despediu com o título do Campeonato Mineiro.
 
Zé Carlos sabia que detinha o maior número de partidas com a camisa celeste, 632, mas confessou não que é o recordista também no Mineirão.
 
- Representa muito para mim essa marca, porque fica na história do clube. Foram 12 anos como jogador do Cruzeiro, fico muito feliz por ter dado um pouco do meu talento e agora um pouco mais, já que estou trabalhando aqui – afirmou, em entrevista ao site oficial do clube.

Desde junho de 2008, ele é funcionário do departamento de intercâmbio da Toca da Raposa I. O ex-volante não esteve na primeira partida do Cruzeiro no Mineirão, mas participou ativamente dos 12 primeiros anos de história do maior palco do futebol mineiro. Zé Carlos sabe bem o que aquele campo representa na história do clube a partir de 1965.
 
- Cheguei em novembro daquele ano, um pouco depois da inauguração do estádio. Acompanhei aquela trajetória no início. Joguei primeiro pelos aspirantes, fui campeão, demorei uns dois anos para me firmar como titular e depois foram dez anos jogando sempre. Vi toda a história de lá para cá, o Cruzeiro deu um salto muito grande depois do Mineirão. O clássico era Atlético x América, nós éramos vistos como terceira força. Aí vieram as conquistas, e a torcida aumentou muito. Fiz parte disso - observou.
 
Em semana de jogo decisivo contra o maior rival, Zé Carlos sabe bem o que se passa na cabeça de um jogador. Ele pode ser considerado um especialista em clássicos contra o Atlético. Foram nada menos que 50 confrontos e um gol marcado sobre o adversário. O retrospecto é de 18 vitórias, 16 empates e 16 derrotas.

A estreia e a despedida de Zé Carlos no Cruzeiro foram em triunfos sobre o arquirrival. Em 16 de dezembro de 1965, ele entrou durante a vitória por 2 a 0, em partida amistosa. O último jogo foi a vitória por 3 a 2, em 2 de outubro de 1977, pela final do Campeonato Mineiro, o jogo dos três gols do atacante uruguaio Revétria.
 
Uma das 50 partidas contra o Atlético é a que mais marcou o ex-volante. Não foi vitória, nem resultou em título, mas foi histórica. Em 26 de novembro de 1967, os rivais se enfrentaram pela fase preliminar do Campeonato Mineiro. O time celeste tinha a hegemonia e lutava pelo tricampeonato. Quem conta a história é Zé Carlos.
 
- Lembro muito de um jogo que ficou marcado, em 1967, em que o Cruzeiro estava perdendo para o Atlético-MG por 3 a 0 e empatou. Eu não era titular, o Tostão se machucou no começo e eu entrei. O Procópio foi expulso um pouco depois e eles abriram 3 a 0. Nós fomos lá e empatamos. Ninguém esperava, ainda mais com dez homens - recordou.
 
Está registrado. Tostão se machucou logo aos cinco minutos e Piazza foi expulso aos 25. O Atlético abriu vantagem com Lacy, aos 21, e Ronaldo, aos 39 do primeiro tempo. Lacy ampliou, aos 15 da segunda etapa. Tudo parecia perdido, mas o Cruzeiro buscou o empate com Natal, aos 16 e aos 18, e Piazza, de pênalti, aos 30. Com um pouco mais de sorte, Zé Carlos poderia ter dois gols, e não um, no clássico.
 
- Eu ainda bati uma falta na trave no final. Se tivesse feito aquele gol, muito torcedor tinha morrido do coração. Já ficou marcado do jeito que foi, se a gente virasse para 4 a 3, ficaria muito mais - destacou.
 
O resultado impediu que o Atlético fosse campeão por antecipação, e o Cruzeiro seguiu firme rumo ao pentacampeonato celeste, em 1969.

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