Campeão mineiro com o Cruzeiro, Juninho quer chegar lá com o Atlético
Decisão deste ano tem sabor especial para o camisa 1 atleticano: ‘Desde 2007, é a primeira vez que temos uma equipe competitiva’
A frieza de Dida, a técnica de Taffarel, e a raça de Fábio Costa. Para o goleiro titular do Atlético, este seria o perfil de um arqueiro perfeito. Na véspera de mais uma decisão estadual entre Galo e Cruzeiro, Juninho procura se concentrar ao máximo, treinar muito e manter a fé em dia.
Numa conversa de meia hora com o jogador, fica claro que religião e família fazem parte da vida dele. A tatuagem na perna não deixa dúvidas.
Juninho aceitou um encontro com a reportagem do Globoesporte.com para falar sobre carreira, sonhos e, claro, o Superclássico deste domingo, no Mineirão. Chegou acompanhado da esposa Janaína e da filha Jéssica, de quatro anos.
Na Lagoa da Pampulha, ao lado das curvas da igreja projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o camisa 1 não escondeu a ansiedade para entrar em campo e tentar o primeiro título no Atlético. E a maior motivação é uma conquista pelo Cruzeiro. Em 2006, apesar de ser reserva da Fábio, levantou a taça do Mineiro.
- Desde 2007, é a primeira vez que temos uma equipe competitiva. Temos uma dívida com a torcida, que sofreu muito no ano do centenário. Quero dar satisfação aos torcedores e tirar a desconfiança dos goleiros. Não só do Juninho. Somos muito cobrados – disse.
Desconfiança que o acompanha desde o ano passado. Uma temporada difícil e instável.
- As trocas de treinadores dificultaram bastante. Geninho, Alexandre Gallo e Marcelo Oliveira passaram pelo clube. Cada um tinha a sua preferência e não se definiam entre mim e o Édson – afirmou.
A disputa pela vaga de titular com Édson trouxe maturidade para quem já foi o quinto goleiro do time e até pediu para ser emprestado ao América. Mas Juninho aponta a chegada de Emerson Leão como fator fundamental para o crescimento dele.
- Em 2007 trabalhei com o Leão na segunda passagem dele pelo clube e nos demos bem. Quando ele voltou, uma semana antes de mim, me colocou para treinar à parte e deixou claro que não queria nenhum tipo de rivalidade entre os jogadores. Este ano, um respeita o outro e estamos mais unidos – explicou.
Ataque contra defesa
Aos 28 anos, Juninho tem no currículo passagens por Vitória, de 1998 a 2005, Cruzeiro, Santa Cruz, América e América-RN. Fez parte da seleção pré-olímpica de 2003 e 2004, que tinha Robinho e Diego. Experiências que espera aproveitar na final deste ano.
O goleiro sabe que terá pela frente uma artilharia pesada: Kléber, Wellington Paulista, Thiago Ribeiro e Soares são algumas das armas do técnico Adilson Batista para tenter inverter a vantagem atleticana. Dono da melhor campanha na primeira fase, o Galo joga por dois resultados iguais. Ou seja, se ele não sofrer gols, o Alvinegro será campeão.
- Vou me esforçar da mesma forma que fiz em outros jogos. Se Deus quiser vão sair gols lá na frente. Quando eu for exigido, vou com fé e com as mãos (risos) – brincou.
E apesar da vantagem do Atlético, ele não hesita em apontar o favorito ao título.
- O favoritismo sempre foi do Cruzeiro. Eles só deixaram o Mineiro um pouco de lado porque se dividiram entre a disputa da Libertadores – definiu.
O Galo não derrota o Cruzeiro há dez partidas. Foram nove derrotas e um empate. O tabu incomoda, e Juninho reconhece, mas ressalta que a prioridade é ficar com o título mineiro.
- Não temos que nos importar com isso. Se formos campeões com dois empates, o torcedor nem vai lembrar que não ganhamos do Cruzeiro há dez jogos - destacou.